sexta-feira, 29 de novembro de 2013

O IMPOSSÍVEL CARINHO*

Olha amor,

Eu amo você!

Mesmo.
 

Pena você não ver

Que posso amá-lo quando estou feliz

Que posso amá-lo longe de você

Que posso amá-lo quando discordamos.



Olha amor,

Vou amá-lo sempre

E não importa o quanto você exija de mim

Sempre vou amá-lo

 
Talvez, amor, eu vá embora,

Pois é preciso sobreviver para amar,

E eu tenho que manter viva a minha vontade

Para manter vivo o meu amor por você.

 
Pena amor, eu não ter estado lá, na sua infância.

(juntar o seu rosto ao meu e lhe explicar o jeito correto de dizer)

Cheguei tarde e estou exausta.

Eu quis restituir tudo o que foi rompido, tudo o que foi roubado.

E eu lhe dei tanto, tanto mais do que podia, que me perdi.

 
Olha amor,

Sei que o amor se aprende,

E creio que sempre é tempo.

Eu quis lhe ensinar toda a compreensão que nunca teve.

Quis amar o seu corpo com o carinho que nunca viu.

Quis tocar a sua alma com a minha e lhe fazer crer que é possível

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Se entregar.

 
“Você me ama mesmo se eu for cruel?”

“Você me ama mesmo que eu lhe maltrate?”

“Você me ama mesmo que eu lhe abandone?”

“Você me ama mesmo que eu duvide do seu amor?”

 
Amo. Mas não sobreviverei.
 

Não há jeito.

Não tenho mais nada

Não há mais o que dar.

E ainda é pouco.

Eu sei que é!

Enfim, você vai olhar e rir, sarcástico.

Eu sou como os outros.

 
Você seguirá sozinho e forte.

Sobrevivente de tantos abandonos.

Cada dia mais impermeável.

 
Ninguém entrará.

Você permanecerá

Imutado

Incontaminado

Instransformado.

 
E eu, amor, vou amar.

 

*O título é plágio do Manoel Bandeira

 

 


 

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