Vou escrever aqui numa espécie de "livre-associação"... já que ninguém lê esse blog mesmo... posso me dar ao luxo de elaborar um pensamento ao mesmo tempo em que escrevo, sem preocupações formais, de acabamento... enfim...
Ontem estávamos falando sobre os tempos atuais que carregam um "democratismo" (não estou certa de que foi esse termo que o Lucas usou, mas eu gostei) que nos dá a falsa sensação de que todos podem exercer sua liberdade de expressão, de ir e vir, seu livre arbítrio... e tal!
A sensação é falsa porque é óbvio que não há toda essa liberdade... acho que não estamos prontos pra isso. Mas queremos estar! Então, para sermos evoluídos, entramos nessa, de que não temos preconceitos, de que não oprimimos os excluídos sociais, de que respeitamos os princípios de igualdade entre os seres, mas é tudo mentira, e essa mentira velada é muito mais maléfica para as relações humanas do que a mais terrível ditadura assumida, pois cria a ideia de que não há o que combater, já que está tudo certo!
E quando pensamos em homens e mulheres, essa questão é gritante. Eu já acho isso há muito tempo, mas até ontem eu achava que o ponto crucial da "diferença disfarçada de igualdade" era a questão sexual. Quer dizer, existe uma ideia de que homens e mulheres têm hoje os mesmos direitos sexuais, que, assim como os homens, as mulheres podem trepar com quem quiserem e quando quiserem e quantas vezes quiserem... mas, na prática... tenta fazer isso? O que você preferiria, que seu filho fosse o cafajeste das menininhas ou sua filha a vagabunda da molecada? Acho que não preciso mais me explicar, né?
De qualquer maneira, eu acho que isso não é exatamente um mal, quer dizer, o problema não é que o preconceito continue existindo, o problema é que o preconceito talvez seja uma reação estúpida a uma diferença real entre os homens e as mulheres, diferença essa que não há de ser só uma questão social, talvez as mulheres realmente não sejam movidas pelo mesmo tipo de desejo que os homens, talvez, se não tentassem imitar os homens para se afirmarem, as mulheres - e sempre há as exceções - não tivessem, de fato, o desejo de trepar com vários caras... enfim, os corpos feminino e masculino são diferentes, os hormônios, as anatomias e fisiologias, as "psiques"... enfim, são tantas as diferenças, porque o comportamento haveria de ser igual?
Mas já estou me desviando do assunto central desse... texto?
A questão é que, até ontem, eu achava que a igualdade fingida entre homens e mulheres era representada principalmente pelas questões sexuais. E a partir de ontem eu me dei conta de que no trabalho essa falsa igualdade talvez venha desmanchando muitos casamentos sem que ninguém se dê conta dos verdadeiros motivos. Não pensei ainda muito nisso, mas já ouso dizer que os homens não suportam ver suas mulheres trabalhando, em especial se estiverem felizes e realizadas, e eles não! Sem falar na questão das diferenças salariais. E eu não estou falando dos machistas assumidos, porque esses dão às mulheres a clareza da situação para que elas possam escolher! O problema são os liberais... os artistas... aqueles que estimulam suas mulheres por um lado, e vetam por outro, disfarçando com motivos estranhos e incoerentes as suas "proibições"... é aí que mora o perigo!
É isso!
Esse foi bem feminista, né!????
hahahahahahahaha!
É, é ESSE o verdadeiro perigo mesmo!Aliás, nas relações de trabalho é que grande parte das desigualdades subterrâneas vêm à tona, porque no trabalho a "libido" se torna a representação imediata da "vontade de poder"...as coisas têm que ser postas na mesa...E é lindo( se não fosse trágico)como os homens se sentem "estuprados" pelas mulheres que exercem a sua libido "ativamente"...enfim...Tem muuuuito chão pela frente até que a gente consiga trabalhar com a nossa máxima potência sem precisar colocar o pau(que não temos) à mesa...Arrasou, Luisinha!É bem por aí mesmo!
ResponderExcluiré, a grande questão é essa: "trabalhar na máxima potência sem colocar o pau na mesa"... quer dizer, encontrar a potência do feminino para o trabalho, em vez de tentar encontrar a mesma competência do masculino... já que, como vc bem disse, não temos pau pra colocar na mesa, e colocar a cinta caralha* na mesa é meio patético...
ResponderExcluir* adoro o desconforto que essa expressão causa... hahahahaha
enfim, é aquele trecho do texto do Leonardo Boff que publiquei anteriormente, a mulher trazendo para a sociedade e para o Estado os valores do feminino, e por isso mesmo sendo agente de transformação!
Se eu entendi bem a lógica de seu raciocínio aplicada à questão da sexualidade (e se eu não entendi bem, por favor, me corrija), o problema não é o preconceito, mas o não reconhecimento das diferenças entre homens e mulheres. Ou seja, se as mulheres parassem de querer se comportar como os homens (como sair por aí e trepar com quem quiserem), não haveria mais preconceito. É isso?
ResponderExcluirSe eu aplicar à mesma lógica à questão do trabalho, isso significa que as mulheres deveriam parar de querer desempenhar funções ditas masculinas (como funções de liderança e chefia, da casa e do trabalho) e deveriam parar de reivindicar salários iguais para as mesmas funções, assim seriam resolvidos os problemas familiares decorrentes da dificuldade dos homens em lidar com o bom desempenho da mulher no trabalho. Certo?
De qualquer modo, para além de divergências específicas que tenho quanto à sua reflexão “anti-feminista”, entendo o que quer dizer sobre o preconceito velado e acho muito interessante essa reflexão. Lembrei-me de que existe uma pesquisa em algum lugar (não sei precisar, falo de cabeça) cujos resultados foram muito interessantes: o pesquisador fazia duas perguntas ao sujeito, que eram mais ou menos assim: 1. você é preconceituoso? 2. você considera o Brasil um país preconceituoso? O resultado é muito interessante. A resposta da esmagadora maioria foi “não” para a primeira pergunta e “sim” para a segunda. A pergunta que sobra é: quem são então os preconceituosos que fazem do Brasil um país preconceituoso?
Eu gosto do blogue, acho que vocês deveriam publicar mais.
Tati, meu amor! Seja bem-vinda! (é assim que escreve isso? - pela dúvida vcs vêm que eu não devo usar muito o termo... hahahaha!)
ResponderExcluirEstava sedenta por pensamentos divergentes começando a movimentar este blogue! Também acho que devíamos publicar mais e acrescento, divergir mais! Espero que você contribua com isso!
Mas, para começar, tentarei não divergir tanto...(rs) Só digo que acho que você fez um recorte um tanto quanto limitador do meu textinho, tão feminista... entendo que você compreendeu o tema central, a questão do preconceito velado (inclusive achei muito divertido o lance da pesquisa que você citou!), mas em relação ao meu "a parte", digamos assim, você foi muito rápida em expressar o seu feminismo pré-determinado (rs)!
Minha vontade é dizer: sim, se as mulheres não quisessem agir como homens o mundo seria bem melhor! Só pra provocar e expressar uma parte da minha opinião! Mas prefiro sugerir que você leia o texto de abertura do blogue (na verdade, o segundo texto, que leva o mesmo nome do blogue), o qual, sem dúvida lhe soará ainda mais machista, e também (ou principalmente), o outro em que cito trechos do livro do Leonardo Boff que estou lendo (ainda...), aí sim, muito mais profundos, embasados e claros, portanto, talvez aí, você compreenda o que estou tentando dizer...
De qualquer maneira, como não me aguento e sempre acabo com todos os aliviantes espaços vazios do pensamento, enchendo-os com explicações detalhadas e nem sempre claras, digo, para finalizar, que, se as mulheres E os homens parassem de lutar para ocupar os altos postos da sociedade (no momento destinados às funções ligadas ao PRINCÌPIO masculino - e não aos homens, veja bem!) e enxergassem a gravidade do fato de o PRINCÍPIO feminino ser completamente diminuído, em termos de importância social, o mundo seria um lugar muito melhor para todos!
E, só para fechar (isso nunca acabará?), reafirmo que ao falar de PRINCÍPIOS eu estou re-defendendo a ideia de que os indivíduos tenham o direito de ocupar as funções que bem entenderem e viver de maneira plena e livre nos PRINCÍPIOS que decidirem, sem a preponderância dos genêros sobre a liberdade individual!
Será que fui clara? Enfim, leia o livro do Boff! Eu estou apaixonada!