Tenho o hábito de dizer que já não cultivo o desejo de ser um gênio. Isso porque o cultivei, por muito tempo, durante a minha adolescência, enquanto ainda havia tempo hábil para a minha pretensão se concretizar, mesmo que já não houvesse indícios para se crer em tal possibilidade.
Hoje os indícios continuam ausentes e agora também já passei da idade da manifestação dos dons divinos. Tornei-me, enfim, uma mortal!
Porém!, não posso deixar de reconhecer que essa resignação à normalidade é apenas uma forma de não me tornar patética aos olhos dos outros. Dentro de mim sufoco o desejo de ter reconhecido o meu talento inegável! Eu me acho mesmo o máximo e olho para a massa medíocre de cima da minha indefectível pretensão!! Aguardo, silenciosa e humilde, o dia em que a minha obra será reconhecida!
Tenho pensado que o meu desejo de me tornar "uma mulher" está diretamente ligado à minha necessidade de suportar o fracasso (entendido numa perspectiva masculina, ou seja, o não reconhecimento público pelas ações realizadas no âmbito sócio-político-cultural).
"Uma mulher" não tem ambições de reconhecimento fora do âmbito do seu próprio lar. Sua busca é ser admirada por seu marido e seus filhos e o sucesso deles é a única prova de que sua missão no mundo foi cumprida com êxito. E na perspectiva do princípio feminino não há um tom irônico nessa afirmação e não há qualquer frustração quando não se associa o sucesso do marido ao sucesso da esposa, pois tal associação é pleonástica: o sucesso do marido é o sucesso da esposa!
A mulher que busca o reconhecimento de outros além daqueles a quem deve servir iguala-se ao homem, rouba a sua função, e passa a competir com ele, tornando-se uma ameaça.
As estruturas sociais são organizadas de modo a funcionarem quando todas as funções são preenchidas e realizadas com afinco: se o fígado resolve ser coração, porque ser coração é mais importante do que ser fígado, o organismo morre!
A família é um organismo! Portanto todas as funções precisam ser exercidas para garantir a sua sobrevivência. Se essa afirmação soa careta no nosso mundo moderno, temos que nos tornar modernos de fato, e extinguir a família! Se não somos capazes, temos, então, que evoluir ao ponto de garantirmos a manutenção das funções para a sobrevivência do organismo, sem confinar nenhum indivíduo à função que lhe foi determinada por associação biológica ou social; antes, temos que permitir um acordo tácita e profundo, em que todos se revezem generosamente na realiazação das funções, sem nunca hierarquizá-las, usufruindo da dor e do prazer de cada uma delas.
Eu sou um fígado que deseja também ser coração e preciso morar num organismo em que o coração aceite, vez ou outra, descer para o estômago!
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Atrás de uma mulher resignada há sempre um homem admirável e doente!
Outro dia estava assistindo a uma entrevista que a filha da Baby Consuelo deu para o Amaury Jr. e para a Maria Cândida e ouvi algo muito sábio saindo da boca da religiosa - que o desejo sexual da mulher está totalmente atrelado à admiração que ela tem pelo homem!
Isso é a mais pura verdade! Claro que nesse mundo masculino de hoje, em que as mulheres adquiriram o maravilhoso direito de agirem como homens, muitas são adeptadas do "uma noite e nada mais", mesmo que isso destrua a sua auto estima (e aqui, o velho parênteses: ainda que seja repetitivo, acho que vale lembrar que, como sempre nesse blogue, estou fazendo uma generalização, que não exclui o direito de algumas ou muitas mulheres manifestarem, individualmente, um desejo sexual masculino, de fato!).
Não sei o quanto a admiração de um homem pela sua parceira interfere no seu tesão, mas para as mulheres ela é fundamental! Acho que é algo ligado a um recurso biológico usado na escolha do procriador ideal...
Por outro lado, em aparente contradição, a mulher tem um desejo estranho, eu diria até, arquetípico, de "curar" o homem! A maoria das mulheres gosta dos canalhas, não porque goste de apanhar (ou não só por isso), mas porque acredita que será aquela que finalmente corrigirá o terrível gosto pela poligamia que o rapaz cultiva há anos. E para isso, pode se submeter a tudo!
Na minha adolescência, quando me apaixonava por uma canalha incorrigível e não era capaz de ser a sua única amada, passava horas imaginando que ele sofreria um terrível acidente e ficaria paraplégico, e eu me tornaria sua fiel cuidadora, aquela que nunca o abandonaria, que sacrificaria juventude e beleza ao amor de sua vida, tendo enfim o reconhecimento merecido!
E os depressivos, então? Esses são os primeiros no racking do apaixonamento feminino. Não qualquer depressivo, é claro, os mais populares são os depressivos intelectuais, aqueles que se acham uns bostas enquanto o resto do mundo os admira! - Até porque o já citado recurso biológico mantém longe os fracassados!
Na escola, quando eu estudava os românticos nas aulas de literatura, sempre cultivava uma fantasia insana de ser aquela que permaneceria ao lado de Álvares de Azevedo! A musa concreta que tornaria rosadas as sua bochechas pálidas e impediria a sua morte prematura!
... E ainda hoje, agora através de coisas mais concretas talvez, sonho em ser aquela que se resignará às trevas até tornar-se capaz de curar a dor lancinante que corroe o espírito iluminado do meu gênio incompreendido.
Toda mulher guarda em seu DNA o desejo ancestral de se resignar ao seu homem! De ser a anônima por trás de um grande Homem! Aquela que suporta tudo, sozinha, cuidando da casa e dos filhos enquanto seu guerreiro errante conquista mares longínquos - sejam eles reais os metafóricos!
Isso é a mais pura verdade! Claro que nesse mundo masculino de hoje, em que as mulheres adquiriram o maravilhoso direito de agirem como homens, muitas são adeptadas do "uma noite e nada mais", mesmo que isso destrua a sua auto estima (e aqui, o velho parênteses: ainda que seja repetitivo, acho que vale lembrar que, como sempre nesse blogue, estou fazendo uma generalização, que não exclui o direito de algumas ou muitas mulheres manifestarem, individualmente, um desejo sexual masculino, de fato!).
Não sei o quanto a admiração de um homem pela sua parceira interfere no seu tesão, mas para as mulheres ela é fundamental! Acho que é algo ligado a um recurso biológico usado na escolha do procriador ideal...
Por outro lado, em aparente contradição, a mulher tem um desejo estranho, eu diria até, arquetípico, de "curar" o homem! A maoria das mulheres gosta dos canalhas, não porque goste de apanhar (ou não só por isso), mas porque acredita que será aquela que finalmente corrigirá o terrível gosto pela poligamia que o rapaz cultiva há anos. E para isso, pode se submeter a tudo!
Na minha adolescência, quando me apaixonava por uma canalha incorrigível e não era capaz de ser a sua única amada, passava horas imaginando que ele sofreria um terrível acidente e ficaria paraplégico, e eu me tornaria sua fiel cuidadora, aquela que nunca o abandonaria, que sacrificaria juventude e beleza ao amor de sua vida, tendo enfim o reconhecimento merecido!
E os depressivos, então? Esses são os primeiros no racking do apaixonamento feminino. Não qualquer depressivo, é claro, os mais populares são os depressivos intelectuais, aqueles que se acham uns bostas enquanto o resto do mundo os admira! - Até porque o já citado recurso biológico mantém longe os fracassados!
Na escola, quando eu estudava os românticos nas aulas de literatura, sempre cultivava uma fantasia insana de ser aquela que permaneceria ao lado de Álvares de Azevedo! A musa concreta que tornaria rosadas as sua bochechas pálidas e impediria a sua morte prematura!
... E ainda hoje, agora através de coisas mais concretas talvez, sonho em ser aquela que se resignará às trevas até tornar-se capaz de curar a dor lancinante que corroe o espírito iluminado do meu gênio incompreendido.
Toda mulher guarda em seu DNA o desejo ancestral de se resignar ao seu homem! De ser a anônima por trás de um grande Homem! Aquela que suporta tudo, sozinha, cuidando da casa e dos filhos enquanto seu guerreiro errante conquista mares longínquos - sejam eles reais os metafóricos!
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Cospe, mas não bate!
O que uma mulher deve fazer quando leva uma cuspida na cara do seu homem?
Quando ela apanha, o mundo politicamente correto a guia, com objetividade, para um único lugar: a delegacia da mulher! E é o fim da relação, é claro!
Uma mulher esclarecida não permite ser tratada como uma qualquer! Nenhuma relação saudável pode chegar à pancadaria! (Pelo menos não de forma escancarada!) Uma mulher que se preze expulsa o canalha que lhe dá uma bofetada, sem grandes sofrimentos! (Mas quem sabe, se ninguém ficar sabendo... O que não tem testemunha, deixa de ser pecado - já disse alguém mais sábio do que eu, que é autor também de uma outra frase, ainda mais célebre!)
Mas e quando a agressão é uma cuspida!?
Um homem que cospe na cara de uma mulher está querendo dizer: "sua vagabunda! não vou perder o meu tempo e a minha energia batendo em você!" ou "isso aqui é pra eu não te encher de porrada!!!"????
A segunda opção isenta a moça de ter que tomar uma providência! E assim, a cada dia que passa mais casais "civilizados" vivem, entre quatro paredes, longe das testemunhas, como favelados do cinema nacional, enquanto criticam a barraqueira da esquina que se entrega aos tapas do marido, indiferente à (ou estimulada por?) audiência decorrente.
Não sei se viver junto, à moda antiga, tentando constituir uma família é mais difícil hoje, quando tudo nos chama ao consumo e estamos sempre querendo viver o novo e temendo perder algo se ficarmos muito tempo em um único lugar, ou se, simplesmente, o ser humano é absolutamente incapaz de lidar com a evolução da própria espécie que, diga-se de passagem, é o maior erro já mantido pela seleção natural (se é que, em escala de tempo cósmico, fomos mesmo "mantidos"... talvez esse átimo de tempo em que permanecemos, é apenas uma rápida passagem de uma espécie que será dizimada sem deixar resquícios!).
Desde que fui convencida pelo Nietzche e sua frase de agenda "cool" de que "o homem é uma corda atada entre o animal e o além do homem, uma ponte sobre o abismo", achava que a maior das evidências desta máxima era o fato de sermos, concomitantemente, animais e humanos, enfim, conscientes do nosso fim, da nossa jornada para a morte, capazes de simbolizar a vida, entender que "do pó viemos e ao pó retornaremos" mas, ao mesmo tempo, mesquinhos e apegados, ao ponto de usarmos nossa capacidade poética para criarmos mitos e religiões que legitimam a infinitude do indivíduo, garentem que o "eu" viverá para sempre, sem nunca se livrar de sua precariedade humana, sem nunca ser premiado com o reencontro com o todo.
Hoje, porém, acho que essa é só a interpretação mais literal da frase. Percebo algo mais sutil: a incompatibilidade entre os opostos! A existência de fêmeas e machos no mundo animal nunca foi nem será um problema, ao contrário, é o que garante a continuidade das espécies! Entre os homens será a maior e, quem sabe definitiva, guerra!
Tentamos, por anos a fio, evitar o colapso mantendo muito bem designadas as funções masculinas e femininas. Punindo aqueles que se desviassem da sua missão de macho e fêmea no cuidado com a família e com a sociedade. Estendemos um pouco a nossa permanência sobre a terra. Mas o inevitável se deu: o humano se sobrepôs ao animal e não quisemos mais nos manter presos às funções sociais que fossem coerentes com a nossa fisiologia. O biológico vai se esfarelando sob o poder avassalador da tecnologia.
A auto-preservação está tentando uma última cartada: pela primeira vez na história da humanidade, a elite intelectual, os que comumente movem revoluções, estão a favor do regresso, ou do "retorno" -para ser mais poética. Mulheres de saias floridas e sutians coloridos com alças à mostra lutam pela preservação de valores antigos, pela religação com a natureza, pelo consumo consciente e pelo parto natural.
E a medicina vai tirando do corpo a única coisa que ainda mantém os humanos amarrados a sua condição de bichos: a obrigação de gerar a continuidade da espécie. E a massa social vai se misturando: meninos e meninas iguais, seres andróginos e afetivos em grupos homogêneos, morando com os pais até os quarenta e sem qualquer pretensão de perpetuar a espécie.
É breve o momento em que nem vontade poética nem obrigação biológica levarão à mulher a gerar um filho. A cena futurista já pode ser vislumbrada no horizonte: bebês em incubadoras flutuantes em uma sala branca e asséptica. E, como consequência, em alguns milênios - se depender de mutações genéticas - ou em poucas centenas de anos - com a ajuda da medicina - nos livramemos desse incômodo possivelmente fatal à humanidade que é a existência dos gêneros.
Nesse tempo, em alguma isolada comunidade de intelectuais revolucionários, viverão famílias de casais heterossexuais, cheias de filhos nascidos de parto natural, pregados aos peitos de suas progenitoras. As quais prepararão a comida, modelararão cerâmicas, tecerão casacos, cuidarão das hortas, dos doentes e dos problemas sociais da comunidade, enquanto esperam seus homens voltarem da caça ou das construções de diques e conjuntos habitacionais sustentáveis, para servirem a janta e re-discutirem a relação, na busca incansável por garantir as funções de cada um! Nas noites mais quentes, as brigas podem ter direito a sexo de reconciliação e uma ou outra cuspida na cara, quem sabe até uma bofetada! Mas tudo sob a proteção de privativas paredes de caixa de leite e telhados que ajudam no combate ao aquecimento global.
Quando ela apanha, o mundo politicamente correto a guia, com objetividade, para um único lugar: a delegacia da mulher! E é o fim da relação, é claro!
Uma mulher esclarecida não permite ser tratada como uma qualquer! Nenhuma relação saudável pode chegar à pancadaria! (Pelo menos não de forma escancarada!) Uma mulher que se preze expulsa o canalha que lhe dá uma bofetada, sem grandes sofrimentos! (Mas quem sabe, se ninguém ficar sabendo... O que não tem testemunha, deixa de ser pecado - já disse alguém mais sábio do que eu, que é autor também de uma outra frase, ainda mais célebre!)
Mas e quando a agressão é uma cuspida!?
Um homem que cospe na cara de uma mulher está querendo dizer: "sua vagabunda! não vou perder o meu tempo e a minha energia batendo em você!" ou "isso aqui é pra eu não te encher de porrada!!!"????
A segunda opção isenta a moça de ter que tomar uma providência! E assim, a cada dia que passa mais casais "civilizados" vivem, entre quatro paredes, longe das testemunhas, como favelados do cinema nacional, enquanto criticam a barraqueira da esquina que se entrega aos tapas do marido, indiferente à (ou estimulada por?) audiência decorrente.
Não sei se viver junto, à moda antiga, tentando constituir uma família é mais difícil hoje, quando tudo nos chama ao consumo e estamos sempre querendo viver o novo e temendo perder algo se ficarmos muito tempo em um único lugar, ou se, simplesmente, o ser humano é absolutamente incapaz de lidar com a evolução da própria espécie que, diga-se de passagem, é o maior erro já mantido pela seleção natural (se é que, em escala de tempo cósmico, fomos mesmo "mantidos"... talvez esse átimo de tempo em que permanecemos, é apenas uma rápida passagem de uma espécie que será dizimada sem deixar resquícios!).
Desde que fui convencida pelo Nietzche e sua frase de agenda "cool" de que "o homem é uma corda atada entre o animal e o além do homem, uma ponte sobre o abismo", achava que a maior das evidências desta máxima era o fato de sermos, concomitantemente, animais e humanos, enfim, conscientes do nosso fim, da nossa jornada para a morte, capazes de simbolizar a vida, entender que "do pó viemos e ao pó retornaremos" mas, ao mesmo tempo, mesquinhos e apegados, ao ponto de usarmos nossa capacidade poética para criarmos mitos e religiões que legitimam a infinitude do indivíduo, garentem que o "eu" viverá para sempre, sem nunca se livrar de sua precariedade humana, sem nunca ser premiado com o reencontro com o todo.
Hoje, porém, acho que essa é só a interpretação mais literal da frase. Percebo algo mais sutil: a incompatibilidade entre os opostos! A existência de fêmeas e machos no mundo animal nunca foi nem será um problema, ao contrário, é o que garante a continuidade das espécies! Entre os homens será a maior e, quem sabe definitiva, guerra!
Tentamos, por anos a fio, evitar o colapso mantendo muito bem designadas as funções masculinas e femininas. Punindo aqueles que se desviassem da sua missão de macho e fêmea no cuidado com a família e com a sociedade. Estendemos um pouco a nossa permanência sobre a terra. Mas o inevitável se deu: o humano se sobrepôs ao animal e não quisemos mais nos manter presos às funções sociais que fossem coerentes com a nossa fisiologia. O biológico vai se esfarelando sob o poder avassalador da tecnologia.
A auto-preservação está tentando uma última cartada: pela primeira vez na história da humanidade, a elite intelectual, os que comumente movem revoluções, estão a favor do regresso, ou do "retorno" -para ser mais poética. Mulheres de saias floridas e sutians coloridos com alças à mostra lutam pela preservação de valores antigos, pela religação com a natureza, pelo consumo consciente e pelo parto natural.
E a medicina vai tirando do corpo a única coisa que ainda mantém os humanos amarrados a sua condição de bichos: a obrigação de gerar a continuidade da espécie. E a massa social vai se misturando: meninos e meninas iguais, seres andróginos e afetivos em grupos homogêneos, morando com os pais até os quarenta e sem qualquer pretensão de perpetuar a espécie.
É breve o momento em que nem vontade poética nem obrigação biológica levarão à mulher a gerar um filho. A cena futurista já pode ser vislumbrada no horizonte: bebês em incubadoras flutuantes em uma sala branca e asséptica. E, como consequência, em alguns milênios - se depender de mutações genéticas - ou em poucas centenas de anos - com a ajuda da medicina - nos livramemos desse incômodo possivelmente fatal à humanidade que é a existência dos gêneros.
Nesse tempo, em alguma isolada comunidade de intelectuais revolucionários, viverão famílias de casais heterossexuais, cheias de filhos nascidos de parto natural, pregados aos peitos de suas progenitoras. As quais prepararão a comida, modelararão cerâmicas, tecerão casacos, cuidarão das hortas, dos doentes e dos problemas sociais da comunidade, enquanto esperam seus homens voltarem da caça ou das construções de diques e conjuntos habitacionais sustentáveis, para servirem a janta e re-discutirem a relação, na busca incansável por garantir as funções de cada um! Nas noites mais quentes, as brigas podem ter direito a sexo de reconciliação e uma ou outra cuspida na cara, quem sabe até uma bofetada! Mas tudo sob a proteção de privativas paredes de caixa de leite e telhados que ajudam no combate ao aquecimento global.
domingo, 18 de setembro de 2011
As transcendências nos princípios masculino e feminino
"... O amor materno é, por sua natureza, incondicional. A mãe ama o recém-nascido porque é seu filho, e não porque ele preenche alguma função ou alguma expectativa específica."
(...)
"... O amor paterno é amor condicional. Seu princípio é 'eu amo você porque você satisfaz minhas expectativas, porque você cumpre com seu dever, porque você é como eu'."
(...)
"... a necessidade de transcendência é uma das necessidades mais básicas do homem; ela se arraiga em sua autoconsciência , no fato de que ele não setá satisfeito com o papel de criatura, de que não pode se aceitar como um dado atirado para fora do copo. Precisa sentir-se criador, alguém que transcende o papel passivo de ser criado. Há vários meios de obter esse prazer de criar. O mais natural e, também o mais fácil é o cuidado e o amor da mãe por sua criação. Ela se transcende no filho, seu amor por ele dá à sua vida sentido e significado. (É a própria incapacidadede satisfazer sua necessidade de transcendência tendo filhos que explica a necessidade que o homem tem de se transcender criando coisas feitas por ele mesmo e concebendo ideias.)"
trechos do livro "A Arte de Amar", de Erich Fromm
Esse livro é tudo de bom, o único problema é que pra hj acho que ele já é meio "ultrapassado"... o próprio autor apresenta a ideia de princípios feminino e masculino e de que tanto homens qto mulheres trazem os dois princípios dentro de si, assim como trazem hormônios dos dois tipos; porém, ele defende que um homem saudável necessariamente potencializa o princípio masculino e a mulher o feminino; eu, particularmente, acho (como já manifestado diversas vezes nesse blogue) que as pessoas, individualmente, podem potencializar os princípios que quiserem, e também revezar os princípios, e brincar com eles, dependendo de onde estejam, de com quem estejam, enfim... inclusive, para mim, isso se aplica à possibilidade de transcendência do homem através dos filhos e das mulheres através de suas obras...
(...)
"... O amor paterno é amor condicional. Seu princípio é 'eu amo você porque você satisfaz minhas expectativas, porque você cumpre com seu dever, porque você é como eu'."
(...)
"... a necessidade de transcendência é uma das necessidades mais básicas do homem; ela se arraiga em sua autoconsciência , no fato de que ele não setá satisfeito com o papel de criatura, de que não pode se aceitar como um dado atirado para fora do copo. Precisa sentir-se criador, alguém que transcende o papel passivo de ser criado. Há vários meios de obter esse prazer de criar. O mais natural e, também o mais fácil é o cuidado e o amor da mãe por sua criação. Ela se transcende no filho, seu amor por ele dá à sua vida sentido e significado. (É a própria incapacidadede satisfazer sua necessidade de transcendência tendo filhos que explica a necessidade que o homem tem de se transcender criando coisas feitas por ele mesmo e concebendo ideias.)"
trechos do livro "A Arte de Amar", de Erich Fromm
Esse livro é tudo de bom, o único problema é que pra hj acho que ele já é meio "ultrapassado"... o próprio autor apresenta a ideia de princípios feminino e masculino e de que tanto homens qto mulheres trazem os dois princípios dentro de si, assim como trazem hormônios dos dois tipos; porém, ele defende que um homem saudável necessariamente potencializa o princípio masculino e a mulher o feminino; eu, particularmente, acho (como já manifestado diversas vezes nesse blogue) que as pessoas, individualmente, podem potencializar os princípios que quiserem, e também revezar os princípios, e brincar com eles, dependendo de onde estejam, de com quem estejam, enfim... inclusive, para mim, isso se aplica à possibilidade de transcendência do homem através dos filhos e das mulheres através de suas obras...
terça-feira, 23 de agosto de 2011
O mundo dos homens
Passo uma noite inteira a chorar sem motivo ou com tantos motivos que já não posso acreditar neles...
Por fim, uso o motivo que quando vem de fora me causa verdadeira fúria: há de ser a TPM!
Ontem seria aniversário do meu pai... ontem um projeto começou a degringolar... de novo... ontem não recebi o apoio que esperava...
Mas não é nada disso, a culpa é dos hormônios!
As mulheres não deviam trabalhar...
Agora a casa está vazia, não há ninguém que a deixe limpa e florida, cheirando a comida fresca; ninguém penteando os cabelos em frente ao espelho, cantarolando, leve e linda, alienada da falta de amor que reina no mundo dos homens. Ninguém capaz de acolher o outro, capaz de colocar o outro em seu regaço macio e perfumado e acariciar seus cabelos com doçura enquanto afirma convicta e contagiante, como um adulto a sua criança: "não chore amor, não foi nada... ei... pxipxipxi... eu te amo... ei, ei... calma... vai dar tudo certo!"...
Agora somos todos homens solitários!
Por fim, uso o motivo que quando vem de fora me causa verdadeira fúria: há de ser a TPM!
Ontem seria aniversário do meu pai... ontem um projeto começou a degringolar... de novo... ontem não recebi o apoio que esperava...
Mas não é nada disso, a culpa é dos hormônios!
As mulheres não deviam trabalhar...
Agora a casa está vazia, não há ninguém que a deixe limpa e florida, cheirando a comida fresca; ninguém penteando os cabelos em frente ao espelho, cantarolando, leve e linda, alienada da falta de amor que reina no mundo dos homens. Ninguém capaz de acolher o outro, capaz de colocar o outro em seu regaço macio e perfumado e acariciar seus cabelos com doçura enquanto afirma convicta e contagiante, como um adulto a sua criança: "não chore amor, não foi nada... ei... pxipxipxi... eu te amo... ei, ei... calma... vai dar tudo certo!"...
Agora somos todos homens solitários!
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Mulheres esclarecidas!
Duas mulheres de mais ou menos 45 anos, mas que parecem mais jovens, tanto pela falta de rugas quanto pelo jeito despojado, com roupas alternativas e cabelos vermelhos, andam pelo shopping.
Conversam:
- Eu odeio shopping...
- Nem me fale, só vim porque preciso comprar uma camisa pro João ir à festa hoje...
- E eu por causa da academia, não sei porque essa moda agora, de colocar academia dentro de shop...
Olham uma vitrine, uma mulher muito perua sai da loja, com uma sacola nas mãos, atrás dela uma babá negra, vestindo branco, empurra um carrinho de bebê.
Comentam:
Comentam:
- Nossa, que falta de respeito, colocar empregado de uniforme!
- Ridículo! A Babi só usou branco uma vez, quando levou a Laurinha pra passear com a minha sogra, porque a minha sogra você sabe, né?
- Ai, com sogra não dá pra discutir, a minha dá refrigerante pro Dedé sempre que ele fica com ela, não tem jeito...
- Você tá de carro?
- Não, o Joelson vem me buscar?
- Quem?
- Ah, o motorista novo, tive que demitir o Aldair depois daquela história com a Lurdinha... Mas o Joelson é ótimo! Super confio! Deixei o carro pra ele levar a Lurdinha à feira de orgânicos, aquela lá na Zona Leste, sabe? Só tem hoje... Ela ia de ônibus, mas tinha tanta fralda pra lavar do Francisco que eu deixei o carro pra ela, tadinha!
- Mas e a... como é o nome daquela negra bonita que lavava roupa pra você?
- Ah! Tá de licença, lua-de-mel em Miami, eu dei de presente pra eles...
- Não sei porque as fábricas de fraldas não criam fraldas descartáveis menos agressivas ao planeta, né? Esse negócio de fralda de pano acaba com a gente!
- Nem fala menina, quilos de fralda pra lavar...
- Olha ali, aquela camisa, é a cara do João!
- Linda!
Entram na loja.
terça-feira, 22 de março de 2011
Sexo e trabalho são coisas de homem, minha filha!
Vou escrever aqui numa espécie de "livre-associação"... já que ninguém lê esse blog mesmo... posso me dar ao luxo de elaborar um pensamento ao mesmo tempo em que escrevo, sem preocupações formais, de acabamento... enfim...
Ontem estávamos falando sobre os tempos atuais que carregam um "democratismo" (não estou certa de que foi esse termo que o Lucas usou, mas eu gostei) que nos dá a falsa sensação de que todos podem exercer sua liberdade de expressão, de ir e vir, seu livre arbítrio... e tal!
A sensação é falsa porque é óbvio que não há toda essa liberdade... acho que não estamos prontos pra isso. Mas queremos estar! Então, para sermos evoluídos, entramos nessa, de que não temos preconceitos, de que não oprimimos os excluídos sociais, de que respeitamos os princípios de igualdade entre os seres, mas é tudo mentira, e essa mentira velada é muito mais maléfica para as relações humanas do que a mais terrível ditadura assumida, pois cria a ideia de que não há o que combater, já que está tudo certo!
E quando pensamos em homens e mulheres, essa questão é gritante. Eu já acho isso há muito tempo, mas até ontem eu achava que o ponto crucial da "diferença disfarçada de igualdade" era a questão sexual. Quer dizer, existe uma ideia de que homens e mulheres têm hoje os mesmos direitos sexuais, que, assim como os homens, as mulheres podem trepar com quem quiserem e quando quiserem e quantas vezes quiserem... mas, na prática... tenta fazer isso? O que você preferiria, que seu filho fosse o cafajeste das menininhas ou sua filha a vagabunda da molecada? Acho que não preciso mais me explicar, né?
De qualquer maneira, eu acho que isso não é exatamente um mal, quer dizer, o problema não é que o preconceito continue existindo, o problema é que o preconceito talvez seja uma reação estúpida a uma diferença real entre os homens e as mulheres, diferença essa que não há de ser só uma questão social, talvez as mulheres realmente não sejam movidas pelo mesmo tipo de desejo que os homens, talvez, se não tentassem imitar os homens para se afirmarem, as mulheres - e sempre há as exceções - não tivessem, de fato, o desejo de trepar com vários caras... enfim, os corpos feminino e masculino são diferentes, os hormônios, as anatomias e fisiologias, as "psiques"... enfim, são tantas as diferenças, porque o comportamento haveria de ser igual?
Mas já estou me desviando do assunto central desse... texto?
A questão é que, até ontem, eu achava que a igualdade fingida entre homens e mulheres era representada principalmente pelas questões sexuais. E a partir de ontem eu me dei conta de que no trabalho essa falsa igualdade talvez venha desmanchando muitos casamentos sem que ninguém se dê conta dos verdadeiros motivos. Não pensei ainda muito nisso, mas já ouso dizer que os homens não suportam ver suas mulheres trabalhando, em especial se estiverem felizes e realizadas, e eles não! Sem falar na questão das diferenças salariais. E eu não estou falando dos machistas assumidos, porque esses dão às mulheres a clareza da situação para que elas possam escolher! O problema são os liberais... os artistas... aqueles que estimulam suas mulheres por um lado, e vetam por outro, disfarçando com motivos estranhos e incoerentes as suas "proibições"... é aí que mora o perigo!
É isso!
Esse foi bem feminista, né!????
hahahahahahahaha!
Ontem estávamos falando sobre os tempos atuais que carregam um "democratismo" (não estou certa de que foi esse termo que o Lucas usou, mas eu gostei) que nos dá a falsa sensação de que todos podem exercer sua liberdade de expressão, de ir e vir, seu livre arbítrio... e tal!
A sensação é falsa porque é óbvio que não há toda essa liberdade... acho que não estamos prontos pra isso. Mas queremos estar! Então, para sermos evoluídos, entramos nessa, de que não temos preconceitos, de que não oprimimos os excluídos sociais, de que respeitamos os princípios de igualdade entre os seres, mas é tudo mentira, e essa mentira velada é muito mais maléfica para as relações humanas do que a mais terrível ditadura assumida, pois cria a ideia de que não há o que combater, já que está tudo certo!
E quando pensamos em homens e mulheres, essa questão é gritante. Eu já acho isso há muito tempo, mas até ontem eu achava que o ponto crucial da "diferença disfarçada de igualdade" era a questão sexual. Quer dizer, existe uma ideia de que homens e mulheres têm hoje os mesmos direitos sexuais, que, assim como os homens, as mulheres podem trepar com quem quiserem e quando quiserem e quantas vezes quiserem... mas, na prática... tenta fazer isso? O que você preferiria, que seu filho fosse o cafajeste das menininhas ou sua filha a vagabunda da molecada? Acho que não preciso mais me explicar, né?
De qualquer maneira, eu acho que isso não é exatamente um mal, quer dizer, o problema não é que o preconceito continue existindo, o problema é que o preconceito talvez seja uma reação estúpida a uma diferença real entre os homens e as mulheres, diferença essa que não há de ser só uma questão social, talvez as mulheres realmente não sejam movidas pelo mesmo tipo de desejo que os homens, talvez, se não tentassem imitar os homens para se afirmarem, as mulheres - e sempre há as exceções - não tivessem, de fato, o desejo de trepar com vários caras... enfim, os corpos feminino e masculino são diferentes, os hormônios, as anatomias e fisiologias, as "psiques"... enfim, são tantas as diferenças, porque o comportamento haveria de ser igual?
Mas já estou me desviando do assunto central desse... texto?
A questão é que, até ontem, eu achava que a igualdade fingida entre homens e mulheres era representada principalmente pelas questões sexuais. E a partir de ontem eu me dei conta de que no trabalho essa falsa igualdade talvez venha desmanchando muitos casamentos sem que ninguém se dê conta dos verdadeiros motivos. Não pensei ainda muito nisso, mas já ouso dizer que os homens não suportam ver suas mulheres trabalhando, em especial se estiverem felizes e realizadas, e eles não! Sem falar na questão das diferenças salariais. E eu não estou falando dos machistas assumidos, porque esses dão às mulheres a clareza da situação para que elas possam escolher! O problema são os liberais... os artistas... aqueles que estimulam suas mulheres por um lado, e vetam por outro, disfarçando com motivos estranhos e incoerentes as suas "proibições"... é aí que mora o perigo!
É isso!
Esse foi bem feminista, né!????
hahahahahahahaha!
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
AUTORIDADE
Em épocas remotas, as mulheres se sentavam na proa das canoas e os homens na popa. As mulheres caçavam e pescavam. Elas saíam das aldeias e voltavam quando podiam ou queriam.Os homens montavam as choças, preparavam a comida, mantinham acesas as fogueiras contra o frio, cuidavam dos filhos e curtiam as peles de abrigo.
Assim era a vida entre os índios Onas e Yaganes, na Terra do Fogo, até que um dia os homens mataram as mulheres e puseram as máscaras que as mulheres tinham inventado para aterrorizá-los. Somente as meninas recém-nascidas se salvaram do extermínio. Enquanto elas cresciam, os assassinos lhes diziam e repetiam que servir aos homens era seu destino. Elas acreditaram. Também suas filhas e as filhas de suas filhas.
Eduardo Galeano
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
santa ignorância e coisas que tocam a temática do blog...
Sempre me acontece uma coisa... mas a frequência ainda não me ensinou a deixar de lado a pretensão!
Eu tenho ideias, sabe... e quando essas ideias encontram ressonância em ideias alheias, elas crescem e se agigantam (e devoram o meu auto senso crítico...)! Como agora, nessa pesquisa "Deslocamentos do Feminino"... as minhas ideais sobre o feminino estão fervilhando... uuuuuuuuh! Com a parceria das meninas que compartilham comigo esse espaço de investigação cênica, elas estão em ebolição!
E aí eu fico achando que estou tendo pensamentos inéditos e que precisam ser presenteados ao resto do mundo, até que... BOFF! LEONARDO BOFF! na minha cara!
Tudo bem, depois que passa a vergonha acho até graça e depois fico até feliz por ter minhas ideiazinhas legitimadas por um pensador de tamanha grandeza!
Seguem dois trechos que dialogam diretamente com o texto deste blog que leva o título do mesmo; mas o livro inteiro vale a pena! (fora a bibliografia utilizada, que dá vontade de ler tudo!)
O livro é "Feminino & Masculino - Uma nova consciência para o encontro das diferenças", do já citado pensador juntamente com Rose Marie Muraro (Editora Record) e foi-me presenteado pela Maria da Glória... quer dizer, eu me apropriei dele e ela, por gentiliza, abriu mão do volume todo amassado, grifado e rabiscado (participação especial da minha filha, Pietra Maria). Ainda assim, foi um presentão!
E enfim, o trecho que interessa:
"Hoje, elas (as mulheres) trazem para o sistema produtivo e para o Estado algo radicalmente novo. Foi apenas o homem que se tornou competitivo, porque se destinou ao domínio público. A mulher no seu domínio privado conservou os valores de solidariedade e partilha. Milenarmente ela tem sido educada para o altruísmo e o cuidado, pois, se o bebê não tiver à sua disposição alguém completamente altruísta, ele não dura um dia sequer.
Atualmente, a mulher é quem traz os novos/arcaicos valores simbólicos de solidariedade da família para o sistema produtivo e para o Estado. Desta forma, a entrada da mulher no domínio público masculino é condição essencial para reverter o processo de destruição." (pg. 11)
e...
"Observemos atentamente: não dizemos que o homem realiza tudo o que comporta o masculino, e a mulher, tudo o que expressa o feminino. Trata-se aqui de princípios presentes em cada um, estruturadores da identidade pessoal do homem e da mulher. O drama da cultura patriarcal reside no fato de ela ter usurpado o princípio masculino somente para o homem, fazendo com que este se julgasse o único detentor da racionalidade, do mando e da construção da sociedade, relegando para a privacidade e para as tarefas de dependência a mulher, não raro considerada apêndice, objeto de adorno e de satisfação. Ao não integrar o feminino em si, o homem se enrijeceu e se desumanizou. Por outra parte, o patriarcado identificou o feminino com a mulher, impedindo-a de uma realização mais completa, com a inserção do masculino e dos seus valores no seu processo de personalização e socialização. Ambos se depauperaram antropologicamente e mutilaram a construção da figura do ser humano uno e diverso, recíproco e igualitário. Mas muito mais padeceram as mulheres sob a opressão dos homens e as suas formas de crueldade inimagináveis [...].
[...]
O movimento feminista mundial, por um lado, colocou em xeque o projeto do patriarcado e desconstruiu as relações de gênero, organizadas sob o signo da opressão e da dependência, e, por outro, inaugurou relações mais simétricas entre os gêneros." (pgs. 73 e 74)
Sobre o diálogo com o texto citado deste blog, só acho que vale ressaltar, correndo o risco de ser redundante, a opinião desta blogueira (nossa!). O patriarcado relegou a mulher ao privado mas, principalmente, encarcerou o princípio feminino, tido como desnecessário e até prejudicial à sociedade. E o movimento feminista, em vez de lutar para que este princípio fosse restaurado à e revalorizado na sociedade, passou a lutar pelo direito da mulher de, como o homem, ser composta integralmente do princípio masculino em detrimento do feminino, e aí então que a sociedade se masculinizou de vez.
Se hoje a mulher ainda é capaz de ser a detentora do feminino e assim contaminar o sistema produtivo e o Estado desse princípio é só quando ela, individualmente, consegue ir contra todo um preconceito social estabelecido que vê o feminino como algo pejorativo, inclusive nas mulheres, em especial quando elas estão ativamente no mercado de trabalho.
ps - o grifo em vermelho é meu e foi em homenagem aos meninos, nossos novos parceiros de trabalho, em especial ao Daniel (Ribeiro), ao Rafael, ao Matheus, ao Lucas e ao Marcelo... (rs)
Eu tenho ideias, sabe... e quando essas ideias encontram ressonância em ideias alheias, elas crescem e se agigantam (e devoram o meu auto senso crítico...)! Como agora, nessa pesquisa "Deslocamentos do Feminino"... as minhas ideais sobre o feminino estão fervilhando... uuuuuuuuh! Com a parceria das meninas que compartilham comigo esse espaço de investigação cênica, elas estão em ebolição!
E aí eu fico achando que estou tendo pensamentos inéditos e que precisam ser presenteados ao resto do mundo, até que... BOFF! LEONARDO BOFF! na minha cara!
Tudo bem, depois que passa a vergonha acho até graça e depois fico até feliz por ter minhas ideiazinhas legitimadas por um pensador de tamanha grandeza!
Seguem dois trechos que dialogam diretamente com o texto deste blog que leva o título do mesmo; mas o livro inteiro vale a pena! (fora a bibliografia utilizada, que dá vontade de ler tudo!)
O livro é "Feminino & Masculino - Uma nova consciência para o encontro das diferenças", do já citado pensador juntamente com Rose Marie Muraro (Editora Record) e foi-me presenteado pela Maria da Glória... quer dizer, eu me apropriei dele e ela, por gentiliza, abriu mão do volume todo amassado, grifado e rabiscado (participação especial da minha filha, Pietra Maria). Ainda assim, foi um presentão!
E enfim, o trecho que interessa:
"Hoje, elas (as mulheres) trazem para o sistema produtivo e para o Estado algo radicalmente novo. Foi apenas o homem que se tornou competitivo, porque se destinou ao domínio público. A mulher no seu domínio privado conservou os valores de solidariedade e partilha. Milenarmente ela tem sido educada para o altruísmo e o cuidado, pois, se o bebê não tiver à sua disposição alguém completamente altruísta, ele não dura um dia sequer.
Atualmente, a mulher é quem traz os novos/arcaicos valores simbólicos de solidariedade da família para o sistema produtivo e para o Estado. Desta forma, a entrada da mulher no domínio público masculino é condição essencial para reverter o processo de destruição." (pg. 11)
e...
"Observemos atentamente: não dizemos que o homem realiza tudo o que comporta o masculino, e a mulher, tudo o que expressa o feminino. Trata-se aqui de princípios presentes em cada um, estruturadores da identidade pessoal do homem e da mulher. O drama da cultura patriarcal reside no fato de ela ter usurpado o princípio masculino somente para o homem, fazendo com que este se julgasse o único detentor da racionalidade, do mando e da construção da sociedade, relegando para a privacidade e para as tarefas de dependência a mulher, não raro considerada apêndice, objeto de adorno e de satisfação. Ao não integrar o feminino em si, o homem se enrijeceu e se desumanizou. Por outra parte, o patriarcado identificou o feminino com a mulher, impedindo-a de uma realização mais completa, com a inserção do masculino e dos seus valores no seu processo de personalização e socialização. Ambos se depauperaram antropologicamente e mutilaram a construção da figura do ser humano uno e diverso, recíproco e igualitário. Mas muito mais padeceram as mulheres sob a opressão dos homens e as suas formas de crueldade inimagináveis [...].
[...]
O movimento feminista mundial, por um lado, colocou em xeque o projeto do patriarcado e desconstruiu as relações de gênero, organizadas sob o signo da opressão e da dependência, e, por outro, inaugurou relações mais simétricas entre os gêneros." (pgs. 73 e 74)
Sobre o diálogo com o texto citado deste blog, só acho que vale ressaltar, correndo o risco de ser redundante, a opinião desta blogueira (nossa!). O patriarcado relegou a mulher ao privado mas, principalmente, encarcerou o princípio feminino, tido como desnecessário e até prejudicial à sociedade. E o movimento feminista, em vez de lutar para que este princípio fosse restaurado à e revalorizado na sociedade, passou a lutar pelo direito da mulher de, como o homem, ser composta integralmente do princípio masculino em detrimento do feminino, e aí então que a sociedade se masculinizou de vez.
Se hoje a mulher ainda é capaz de ser a detentora do feminino e assim contaminar o sistema produtivo e o Estado desse princípio é só quando ela, individualmente, consegue ir contra todo um preconceito social estabelecido que vê o feminino como algo pejorativo, inclusive nas mulheres, em especial quando elas estão ativamente no mercado de trabalho.
ps - o grifo em vermelho é meu e foi em homenagem aos meninos, nossos novos parceiros de trabalho, em especial ao Daniel (Ribeiro), ao Rafael, ao Matheus, ao Lucas e ao Marcelo... (rs)
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