O feminino está deslocado.
(Então o masculino também!)
Se está deslocado é por que tem um “lócus”?
Sim, tem!
Digam o que quiserem dizer os que dizem sem pensar aquilo que todos dizem! Eu digo que existe o lugar da mulher e o lugar do homem!
Isso não significa, é óbvio – antes que os mesmos seres politicamente corretos comecem a gritar: “linchem essa machista!” – que as pessoas, individualmente, não devam ter o direito de ser, individualmente, aquilo que bem entenderem, brincando de respeitar e desrespeitar as regras dos gêneros da maneira que melhor lhes (e aos que as cercam) aprouver!
O problema do mundo é esse: o ser humano é absolutamente incapaz de lidar com a diversidade. Não conseguimos de jeito nenhum aceitar o outro. Mas, queremos viver num mundo igualitário, então, obrigamos o outro a ser “livre” como nós!
O mundo é masculino, branco, ocidental. E essa cultura dominante elimina violentamente as minorias diferentes de si; mas permite, com amor ao próximo, que os indivíduos que a elas pertençam tenham o direito de ser masculinos, brancos e ocidentais, ainda que se trate de uma mulher indiana, ou de um homossexual negro!
Mas tudo é feito de maneira tão democrática que uma mulher fica muito feliz de ter o direito de ser homem! E repudia em si – com a ajuda das outras mulheres da família, em especial a sua mãe – o desejo de realizar qualquer tipo de atividade vista como tipicamente feminina!
Até o mais feminino dos desejos vem sendo mau visto pela sociedade atual: a maternidade! Quer dizer, se a maternidade não é completamente repudiada, ainda, ela é sempre, pelo menos, preterida, posta em segundo plano. Mais explicadinho: uma mulher que queira ser tida como um ser humano bem sucedido pode até ser mãe, mas só se ela for também uma profissional reconhecida! Enfim, nenhuma mulher em sã consciência vai abandonar os estudos, a carreira, para ter quinze filhos e se dedicar a eles! Por mais incríveis cidadãos que essa mulher forme, ela vai ser alvo de um pré-conceito generalizado, e vista como uma ignorante vitimizada e nunca como dona de suas escolhas!
E se um indivíduo mulher, exercendo o seu maravilhoso livre-arbítrio, decide, de verdade, não ser mãe, nem mesmo se casar (talvez seja taxada de lésbica...), e apenas se dedicar à profissão? Ela pode ser uma empresária, uma engenheira, uma economista, ou ainda uma professora, uma enfermeira, uma babá...
AH! Sentiu o seu preconceito gritar, separando os dois grupos de profissões e classificando o primeiro como “melhor” que o segundo?
É isso aí, a nossa sociedade é tão masculina que foi colocando tudo o que é mais familiar às mulheres como inferior às ocupações mais exercidas pelos homens.
E agora o seu preconceito urrou: “Quem disse que só mulher pode cuidar de criança?”. Eu não! Mas que as mulheres têm muito mais habilidade para isso e para todos os outros ofícios que envolvem o cuidado, a resignação e o servir, isso sem dúvida!
Bom, agora o seu caráter de membro de uma sociedade igualitária fez você surtar!!! “Como assim, resignação, servidão!!!!!????? Você é louca?????”.
Não, meu caro, loucos são aqueles que tornaram essas palavras, e todo o conteúdo que elas carregam, pejorativos! E que, consequentemente, jogaram para segundo plano social todas as profissões que exigem essas qualidades! E mais: usurparam outras profissões que também só podem ser bem exercidas por pessoas capazes de abrir mão de suas próprias vontades e necessidades pelo outro, ou pelos outros – característica intrínseca ao feminino*. Ocupações sociais que deveriam ser essencialmente femininas, mas que por terem sido dominadas pelos homens deixaram de ser um lugar do servir ao outro para se tornar um lugar do exercer o poder sobre o outro, e, assim, ganharam status e perderam a sua verdadeira função social. São os melhores exemplos a medicina e a política!
*o que não significa que um homem, individualmente, não possa tê-la, ou mesmo que um indivíduo mulher não possa não tê-la!